O Rio Grande do Sul terá uma coordenadoria especializada para gerir e ampliar a eficiência do combate e das investigações dos crimes no campo. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (29/08) pela cúpula de segurança pública do governo do Estado e lideranças do agronegócio em uma ação concatenada que tem apoio da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Federação da Agricultura do RS (Farsul) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS (Fetag). “Essa reunião dialoga com a premissa do governo, que é a integração. Queremos levar a segurança pública da cidade ao campo e do campo à cidade, ou seja, nenhuma área do Estado pode ficar a descoberto”, pontuou o vice-governador e secretário de Segurança, Ranolfo Vieira Júnior.

Consolidando o pleito dos produtores, a chefe da Polícia Civil do RS, delegada Nadine Anflor, apresentou o projeto que, segundo ela, trará mais agilidade nas investigações, especialmente do abigeato. “Essa coordenadoria atuará como força-tarefa integrada com as patrulhas de Brigada Militar para apurar, identificar a autoria dos crimes e combater as organizações criminosas”, frisou.

O projeto contará com a coordenação do delegado André de Matos Mendes, da  Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais (Decrab) de Bagé. O objetivo, explica ele, é replicar o formato de trabalho adotado na sua unidade para as demais e evitar a ação do crime organizado por meio de mão de obra especializada. Com isso, as Decrabs do RS passarão a trabalhar de forma integrada e com atuação em diversas regiões do Estado, e não apenas em âmbito regional. Atualmente, há três delegacias especializadas em crimes rurais em ação (Bagé, Santiago e Cruz Alta) e, em 16 de setembro, será inaugurada a quarta em Camaquã.  Até o fim do próximo mês, também deve ser inaugurado um cartório para registro especializado em abigeato em Montenegro, região onde vêm sendo registrados casos frequentes. Toda a estrutura ficará subordinada à nova coordenadoria.

O serviço integrado atende a pedido dos criadores de animais, representados pela Febrac, Farsul e Fetag, que compilam registros constantes de animais carneados ou roubados, alguns deles até premiados na Expointer.  “O Rio Grande do Sul é o berço da genética e, portanto, esse é um patrimônio que temos que cuidar. Essa parceria, tenho certeza, está rendendo frutos e renderá ainda mais. Não acredito em obras individuais. As obras devem ser coletivas. Esse momento é simbólico, pois demonstra alinhamento das entidades (Febrac, Farsul e Fetag), o alinhamento das forças de segurança (BM e Policia Civil) e a integração do setor público e privado”, salientou o presidente da Febrac, Leonardo Lamachia.

O abigeato é um crime frequente no RS, com ocorrências próximas a 6 mil por ano. Estimativas indicam que apenas 19 municípios concentram 50% dos casos de abigeato registrados no Rio Grande do Sul. O ápice do problema foi registrado em 2016, quando mais de 9 mil casos foram reportados. Na época, foi criada força-tarefa para conter a ação das quadrilhas que atuavam em roubo de gado e de bens, e o número de ocorrência, desde então, vem caindo cerca de 30% ao ano. Foram mais de 40 quadrilhas desarticuladas desde então. Em 2019, a expectativa é que a repressão ao crime no campo tenha redução acima desse percentual, estimou Mendes.

Febrac na Expointer

A Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça foi fundada em 7 de outubro de 2002 e tem como proposta promover a defesa legítima dos direitos, interesses e aspirações da classe dos criadores de animais de raça. Nesta Expointer, a Febrac conta com apoio do Badesul. 


Foto: Carolina Jardine

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